Experiência de Campina Grande foi apresentada na 7ª web oficina do IdeiaSuS nesta segunda-feira (3)

O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde da Paraíba (COSEMS-PB) participou nesta segunda- feira (3) da sétima web oficina da Curadoria em Saúde IdeiaSUS.

A oficina realizada pela Fiocruz, UFPB e COSEMS-PB apresentou hoje uma experiência do município de Campina Grande voltada à prevenção do câncer de mama entre as mulheres cegas atendidas pelo SUS.

A prática da equipe da coordenação da área técnica da Saúde das Mulheres da Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande em parceria com a Liga Acadêmica de Enfermagem Materno- Infantil vem sendo desenvolvida desde outubro de 2018 no Instituto do Cegos de Campina Grande, com o objetivo de promover orientações para combate e prevenção do câncer de mama proporcionando autocuidado entre as mulheres cegas do SUS e também incluindo os homens em discussões sobre como a violência doméstica, feminicídio, dentre outros temas e atividades.

De acordo com a autora da prática, Aleksadra, da SMS, a experiência de Campina Grande proporciona às mulheres com deficiência visual, maior independência e empoderamento. “A tecnologia assistiva idealizada pelo município com o objetivo de aproximar as mulheres do conhecimento sobre autocuidado na prevenção ao câncer de mama, trouxe mais autoestima e conhecimento do seu corpo”, disse.

Além do autocuidado, a prática também foi responsável pela formulação de um manual em braile sobre a Covid-19.

Para a consultora do COSEMS-PB, Mércia Carvalho, a prática dá visualizibilidade estas mulheres e precisa sair dos muros da instituição e chegar em outros espaços”.

Segundo a diretora de Atenção a Saúde da SMS de Campina, Jeime Leal, a cartilha em brailler trouxe visibilidade para as mulheres. “A experiência tem a função social de cidadania e respeito e mais ainda: promover autoconfiança e autonomia para as mulheres do Instituto dos Cegos.”

A convidada da oficina de hoje foi Kátia Souto, doutoranda em Saúde Pública pela ENSP/Fiocruz, mestre em Sociologia pela UnB, Especialista em Bioética e Educação em Saúde pela UnB, ex-diretora de Gestão Participativa no Ministério da Saúde (2011/2016), servidora pública federa/Tecnologista em Gestão de Políticas de Saúde no Ministério da Saúde.

“Inicialmente parabenizo pelo trabalho desenvolvido no projeto a toda equipe e parceiros e festaco alguns pontos que considero importantes no projeto: primeiro a dimensão de trabalhar a equidade, ao desenvolver um projeto para mulheres com deficiência visual na perspectiva de garantir a elas o acesso qualificado ao cuidado, a partir do tratamento e prevenção ao câncer de mama, segundo a escuta como mecanismo de cidadania e respeito garantindo assim o direito e reconhecimento da usuária como sujeito político e a partir daí pensar o auto cuidado e o cuidado de forma integrada e terceiro a articulação com parceiros da sociedade civil e gestão (SMS e Cosems) para sustentabilidade permitindo ao projeto transcender de seu locus e poder ampliar seu olhar e ação. Desafios e ousadias que podem brotar dessa semente tão fértil que é o projeto como ampliar a abordagem da intervenção para as mulheres, a partir de ouvir suas histórias de vida e sonhos/desejos, e articular com integralidade da atenção (incluindo a psicossocial), podendo trazer experiências da Política de Práticas Integrativas e Complementares e articulação com gestão para espalhar a semente desse projeto em perspectiva intra e intersetorial alcançando mulheres e homens em outras vulnerabilidades individuais e sociais, promovendo política pública com equidade e integralidade. Parabéns a todas e todos e gratidão pela oportunidade e presente de conhecer o trabalho, a equipe e reencontrar com um pouco de minha terra natal”, disse Kátia.

Para Claudia Le Cocq do IdeiaSUS-Fiocruz, a riqueza da sétima web oficina confirma o acerto da premiação realizada pelo Cosems-PB, e a oportunidade fomentada pela Curadoria IdeiaSUS FIOCRUZ uma parceria forte aproximando profissionais e gestão através da escuta qualificada das necessidades das pessoas usuárias do Sistema Único de Saúde sob o olhar apurado e colaborador da academia, em especial do projeto da UFPB.

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