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Pesquisa identifica possível origem do câncer de mama

[pullquote align=”left|” textalign=”left” width=”30%”]Células das mamas que possuem uma anomalia nos cromossomos são mais propensas a apresentar problemas de divisão e, assim, provocar a doença.[/pullquote]

Só 40% das mulheres com câncer conseguem preservar mama, diz estudo. (Foto: Corbis.com)

Corbis.com

Uma nova pesquisa conseguiu identificar a provável origem do câncer de mama. O estudo, publicado nesta terça-feira na edição inaugural do periódico Stem Cell Reports, investigou amostras de tecido mamário de mulheres saudáveis para identificar quais seriam as células mais propensas a originar o câncer de mama. Eles descobriram, então, que uma classe específica de células normais que dão origem ao tecido mamário tem estruturas menores do que as normais. Em função dessa diferença estrutural, essas células estariam mais propensas a mutações que dão origem ao câncer de mama. Os resultados do estudo poderão ajudar na identificação de pacientes com risco elevado de desenvolver esse tipo de câncer, além de estratégias para o tratamento e prevenção da doença.

CONHEÇA A PESQUISA

  • Título original: The Luminal Progenitor Compartment of the Normal Human Mammary Gland Constitutes a Unique Site of Telomere Dysfunction
  • Onde foi divulgada: periódico Stem Cell Reports
  • Quem fez: Nagarajan Kannan, Nazmul Huda, LiRen Tu, Radina Droumeva, Geraldine Aubert, Elizabeth Chavez, Ryan R. Brinkman, Peter Lansdorp, Joanne Emerman, Satoshi Abe, Connie Eaves e David Gilley
  • Instituição: Universidade de Indiana, EUA, e outras
  • Dados de amostragem: Tecido mamário normal doado por 37 mulheres que realizaram cirurgia de redução de mamas para fins estéticos
  • Resultado: Os pesquisadores descobriram que as células precursoras luminais são mais propensas a apresentarem falhas na divisão, porque seus telômeros (estruturas que formam as extremidades dos cromossomos) são mais curtos. Esses problemas na divisão celular podem causar o câncer de mama

O estudo, realizado em conjunto por instituições de pesquisa do Canadá, Estados Unidos e Países Baixos, foi realizado com tecido mamário normal doado por 37 mulheres que realizaram cirurgia de redução de mamas para fins estéticos.

Resultados — No estudo, descobriu-se que as células precursoras luminais (que dão origem ao tecido mamário) apresentam telômeros (as extremidades dos cromossomos) muito curtos. Como a função dos telômeros é evitar problemas com o material genético durante a divisão celular, essas células são mais propensas a ter mutações durante o processo de divisão. Essas mutações seriam as responsáveis pelo desenvolvimento do câncer.

“Esse é o primeiro relato de um tipo de célula precursora humana, considerada normal, que apresenta essa disfunção nos telômeros”, afirma Connie Eaves, pesquisadora do laboratório Terry Fox, no Canadá, e uma das autoras do estudo.

A pesquisa ressalta a importância de estudar tecidos humanos saudáveis como uma forma de identificar a origem celular do câncer e os fatores que contribuem para seu desenvolvimento. David Gilley, pesquisador da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e coautor do estudo, acredita que um próximo passo seja verificar se essa descoberta se aplica apenas ao câncer de mama, ou se trata de um fenômeno geral.

Opinião do especialista Rafael Malagoli Rocha
Pesquisador de oncologia do Hospital A.C. Carmargo.

“Diversos estudos têm mostrado que os telômeros são importantes para o aparecimento de tumores. Ainda não se conhece totalmente sua função, mas se sabe que eles evitam que os cromossomos se fundam, causando alterações na sequência genética que podem causar tumores.

“O estudo é interessante, em primeiro lugar, porque foi realizado com células normais, sem o aparecimento de tumores. Os pesquisadores colheram diferentes tipos de células da glândula mamária e analisaram seus telômeros separadamente. Eles conseguiram ver que as células precursoras luminais apresentam telômeros encurtados, o que pode estar relacionado ao aparecimento do câncer, principalmente porque o envelhecimento tende a fazer com que os telômeros encurtem ainda mais.

“As células precursoras luminais se localizam no interior do ducto mamário (por onde passa o leite durante a amamentação) e são onde se originam 80% dos cânceres de mama.

“No campo da prevenção ainda está claro o que pode ser feito a partir dos resultados desse estudo, uma vez que até o momento não é possível realizar intervenções nos telômeros. Porém, se for identificado o que a alteração dos telômeros provoca nas células, pode ser possível desenvolver medicamentos que façam essas alterações regredirem e, assim, impedir a proliferação do tumor.

“Vale lembrar que o encurtamento dos telômeros é apenas uma das possíveis causas do câncer de mama. Existem ainda os fatores ambientais, como tabagismo e alcoolismo, e predisposições genéticas que facilitam o aparecimento desse tumor.”

 Fonte: http://www.portaldoconsumidor.gov.br

Brasil supera EUA em mortes por câncer de mama por falta de diagnóstico precoce

Corbis Images

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Segundo um estudo da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, a mortalidade por câncer de mama no Brasil é maior que nos EUA devido à falta de diagnóstico precoce. Não fosse isso, a sobrevida das brasileiras seria equivalente à das estadunidenses.

O estudo, iniciado em 2011, levantou dados de pacientes diagnosticadas entre 1998 e 2001, para que pudessem ser observadas as taxas de sobrevida dez anos após o início do tratamento. A pesquisa comparou informações de 834 pacientes do Hospital do Câncer de Barretos, em São Paulo, com os dados de cerca de 47 mil mulheres com câncer de mama dos Estados Unidos, obtidos do programa SEER (The Surveillance, Epidemiology and End Results).

O levantamento mostrou que 50,1% das mulheres norte-americanas diagnosticadas com câncer de mama estavam no estágio inicial do doença, com tumores menores do que 2 centímetros e ainda não palpáveis. Já no Brasil, diagnósticos nesse estágio precoce ocorreram em apenas 10% dos casos. Nesse estágio, as chances de cura a partir de um tratamento chegam a 90%.

A detecção do câncer de mama em estágios mais avançados foi observada em 45,8% das pacientes brasileiras, enquanto as norte-americanas somavam apenas 8,4%. Nessa situação, a taxa de sobrevida após dez anos cai para apenas 17% dos casos.

Em países desenvolvidos, a relação de mortes por câncer de mama anualmente é de 19 a cada 100 diagnósticos. Na América do Sul a proporção sobe para 29,8 mortes. No continente africano, a situação é ainda pior: a cada 100 mulheres com a doença, 60 morrem.

Fonte: Site Dr. Dráuzio Varella

Conservar o seio é possível em tumores pequenos ou boa resposta ao tratamento

Só 40% das mulheres com câncer conseguem preservar mama, diz estudo. (Foto: Corbis.com)

O avanço no tratamento do câncer de mama tem permitido a indicação de cirurgias cada vez menos invasivas, que envolvem apenas a retirada de uma pequena porção do seio. Mesmo assim, a taxa de adoção desse tipo de procedimento tem ficado abaixo do esperado. Sob o ponto de vista da importância da manutenção das mamas para a autoestima da mulher, esse tema foi destaque no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Clínica, em Viena, na Áustria.

A indicação da cirurgia capaz de conservar grande parte da mama é possível quando o tumor é pequeno ou, nos casos de tumores grandes, a paciente apresenta uma boa resposta ao tratamento neoadjuvante (quimioterapia aplicada antes da cirurgia com o objetivo de diminuir o tamanho do nódulo).

O que a pesquisadora Carmen Criscitiello, do Instituto Europeu de Oncologia, descobriu é que o número de indicações de cirurgias que preservam as mamas não tem aumentado na mesma proporção em que melhoram as respostas das pacientes às novas terapias neoadjuvantes.

Para chegar a essa conclusão, ela tomou por base um estudo anterior que avaliou a eficácia de três estratégias de quimioterapia neoadjuvante para 429 pacientes com tumor do tipo HER2 positivo. Um grupo recebeu a droga lapatinibe, o outro recebeu o trastuzumabe e um terceiro, a combinação das duas terapias. Deste último grupo, 51,5% das pacientes tiveram uma resposta completa à terapia, enquanto nos outros grupos, essa taxa foi de 24,7% e de 29,5% respectivamente.

O esperado seria que o terceiro grupo, por ter respondido melhor, recebesse mais indicações de cirurgias que preservam as mamas. Porém, o que ocorreu, segundo Carmen Criscitiello, foi que nos três grupos, independentemente da resposta ao tratamento, apenas 40% das pacientes puderam conservar o seio.

O estudo destaca uma atitude negativa que pode privar grande fração de mulheres da chance de preservar sua mama, sem nenhuma razão clínica para justificar essa decisão.

Ela acrescenta que as características do tumor anteriores à quimioterapia inicial tiveram papel importante na decisão do tipo de cirurgia.

Um dos objetivos da terapia neoadjuvante é obter um aumento da taxa de conservação de mama, mas esse objetivo é claramente frustrado se o tipo de cirurgia for escolhida somente de acordo com as características iniciais do tumor.

No Brasil

Segundo a mastologista Maira Caleffi, presidente da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama), esse processo também pode ser observado no Brasil. Para ela, apesar de melhores condições para se realizar a cirurgia que preserva a mama, “o que se observa na prática é que muitas pacientes são informadas pelos próprios cirurgiões que talvez seja melhor tirar tudo e retirar ainda a outra mama como profilaxia”.

Maira ressalta que esse procedimento não tem respaldo científico, a não ser que a mulher possua uma mutação genética familiar que predisponha ao câncer.

Isso é um desserviço que vem sido praticado. É um exagero, que não observa as recomendações das autoridades e das sociedades médicas.

A decisão sobre qual será o procedimento adotado deve ser compartilhada entre médico e paciente, de acordo com o mastologista Wesley Pereira Andrade, do Hospital A.C.Camargo. Em casos de tumores grandes, pode-se tanto começar o tratamento com a cirurgia mais radical e depois introduzir a quimioterapia quanto adotar a neoadjuvante para tentar conservar a mama.

Quando se preserva a mama, existe um ganho psicológico. A desvantagem é uma maior chance de o tumor voltar ao longo de dez anos.

Ele observa que a mulher que preserva a mama tem uma aceitação melhor de sua autoimagem.

Para o ginecologista e cirurgião oncológico Fábio Laginha, do Hospital 9 de Julho, depois dos avanços nas novas drogas contra câncer de mama, é preciso progredir nos métodos de imagem e nas técnicas cirúrgicas que permitam a retirada da porção exata da mama necessária para eliminar todas as células cancerígenas.

O que precisa ser feito, quando se escolhe esse tipo de quimioterapia neoadjuvante, é ter certeza do local do tumor, marcar e acompanhar sua diminuição.

 Fonte: http://www.portaldoconsumidor.gov.br

Nova forma de diagnosticar o câncer de mama

O câncer de mama é hoje uma doença presente em milhares de famílias ao redor do mundo. Principalmente nos grandes centros urbanos, devido à concentração populacional, o número de casos é expressivo.

Já se sabe que o câncer de mama não é uma doença única, mas, sim, um grupo de moléstias distintas categorizadas com o mesmo nome. A experiência também tem mostrado que pacientes com tumores muito iguais no tamanho e na microscopia podem evoluir com prognósticos diferentes. No passado, nós nos surpreendíamos com o fato de que algumas pacientes com tumores volumosos apresentavam sobrevida longa e até eram passíveis de cura, enquanto outras, com tumores minúsculos, logo evoluíam para disseminação da doença e morriam. A grande interrogação que se impunha naquele momento era o que determinava tamanha diferença.

Todas são maçãs, mas têm características diferentes. O mesmo acontece com o tumor de mama.

Atualmente, a classificação usada para avaliar o risco de recidiva dos tumores baseia-se em parâmetros morfométricos (tamanho do tumor, presença ou não de comprometimento por neoplasia das ínguas axilares, formato das células, entre outros). Apesar de útil, essa classificação não é muito precisa, pois admite inúmeras variáveis. Diante dessa constatação, os pesquisadores se voltaram para encontrar um método de avaliação que determinasse com mais segurança o risco de recidivas. A resposta que encontraram parece estar ligada ao genoma celular. Com base no maior conhecimento das estruturas intra e extracelulares e de suas funções, descobriram que certos receptores denominados oncogenes desencadeiam ou inibem a multiplicação de uma célula com defeitos específicos para cânceres. Esses receptores, que podem ser hormonais, fatores de crescimento, citocinas ou neurotransmissores, estão presentes na superfície ou no interior das células e estimulam, por vias especificas, os núcleos e as células alteradas a se multiplicarem desenfreadamente formando um tumor. Sob tais condições, as células tumorais perdem a capacidade de envelhecer e morrer, ou seja, a capacidade de apoptose (morte celular programada). Só quando conseguimos controlar esses receptores, modulando-os, podemos devolver às células a capacidade de envelhecer e destruir o tumor.

Os medicamentos usados com tal propósito são chamados de “drogas alvo”, Outra de suas vantagens é que apresentam efeitos adversos menores que os da quimioterapia convencional (queda de cabelo, anemia, infecções e outros). Quem determina as variáveis de receptores de ativação ou inibição é o DNA celular (expressão gênica tumoral).

Após a decodificação do código genético humano, foi possível criar perfis gênicos que oferecem um diagnóstico molecular para o câncer de mama. O mais conhecido e utilizado é o Oncotype DX. Esse exame molecular avalia 21 genes relacionados com o crescimento e disseminação do câncer de mama. Atualmente, ele é utilizado em pacientes que apresentam tumores com receptores de estrógeno positivos, para prognosticar o risco de recidiva e a necessidade ou não de adicionar um tratamento quimioterápico. Quando o Oncotype DX revela que o tumor possui risco baixo de voltar, a quimioterapia poderá deixar de ser realizada.

Em mais de 35% dos casos, o resultado desse teste permite alterar a conduta médica previamente estabelecida, uma vez que oferece elementos para determinar se uma paciente portadora de câncer de mama in situ precisará ou não de radioterapia após a cirurgia.

Outros genes estão sendo testados e avaliados para predizerem respostas a determinados medicamentos para o câncer de mama, por exemplo, a resposta a taxanos e ao trastuzumab. Para outros tumores também já existem testes para avaliar genes “mutados” ou não, que podem antecipar se haverá resposta a um medicamento especifico.

Estamos no inicio de uma nova época na historia da medicina. Isso nos autoriza dizer que, em futuro breve, baseados no estudo do genoma de cada indivíduo, estaremos tratando pacientes com medicações feitas especificamente para ele.

 

Fonte: Site Dr. Dráuzio Varella

Novo medicamento para câncer de mama será incorporado no SUS

Ministério da Saúde (MS) vai incorporar o Trastuzumabe, um dos mais eficientes medicamentos de combate ao câncer de mama, no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa iniciativa faz parte do Plano Nacional de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Colo do Útero e de Mama, estratégia para expandir a assistência oncológica no país, lançado pela presidenta Dilma Rousseff, no ano passado. O ministério investirá R$130 milhões/ano para disponibilizar o medicamento à população.

câncer de mama é o segundo mais comum no mundo e o mais frequente entre as mulheres, com uma estimativa de mais 1,15 milhão de novos casos a cada ano, e responsável por 411.093 mortes a cada ano. No Brasil, estimam-se 52.680 novos casos em 2012/2013. Em 2010 ocorreram 12.812 mortes por causa da doença. E neste ano, o Ministério da Saúde já custeou mais de 100 mil procedimentos para quimioterapia do câncer de mama inicial ou localmente avançado. Leia mais