Bactéria pode eliminar dengue no Brasil

Wolbachia, que está presente em cerca de 70% dos insetos no mundo, é capaz de diminuir a vida do mosquito Aedes aegypti pela metade, caindo de 30 para 15 dias, além de eliminar os vírus da dengue que o contamina.

Foto: Tânia Rêgo/ABr

O método de controle se baseia na soltura programada dos mosquitos com a bactéria. Ao se reproduzir na natureza com mosquitos locais, acabam passando a bactéria de mãe para filho através dos ovos. Com o passar do tempo, a expectativa é que a maior parte da população local de mosquitos tenha a Wolbachia e não transmita mais a dengue.

Ainda em ambiente laboratorial, o projeto brasileiro está na primeira fase, com foco na manutenção de colônias dos mosquitos com Wolbachia e no cruzamento com exemplares do Aedes aegypti. Os testes intermediários, feitos em gaiolas, devem começar em 2013 no campus da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) – que está financiando a pesquisa junto com o Ministério da Saúde, a SVS (Secretaria de Vigilância em Saúde) e o DECIT/SCTIE (Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos).

A Austrália lidera os estudos com a Wolbachia. As pesquisas, que começaram em 2006, já tiveram bons resultados em 2011: após dez semanas da primeira soltura dos insetos com a bactéria, 100% dos mosquitos Aedes aegypti já estavam contaminados com Wolbachia.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que ocorra de 50 milhões a 100 milhões de casos de dengue em todo mundo anualmente. Somente no Brasil foram registrados 1 milhão de casos em 2010.

A idéia é associar essa bactéria com aplicações de vacinas contra a dengue e, assim, erradicar a doença no Brasil. Ainda não há previsão certa para que a doença seja eliminada do país, mas acredita-se que vai ser preciso de cinco a dez anos para extingui-la por completo.

Fonte: Dr. Dráuzio Varella
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